
Sondagem da FGV Ibre mostra maior nível da série histórica e revela que salário ainda é principal foco de insatisfação entre trabalhadores
247 – A mais recente Sondagem do Mercado de Trabalho da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) aponta que 78,1% dos trabalhadores brasileiros estão satisfeitos ou muito satisfeitos com o emprego atual. Trata-se do maior percentual registrado desde o início da série histórica, em 2025. O levantamento mostra ainda que apenas 6,1% dos entrevistados se declararam insatisfeitos, enquanto 15,8% adotaram posição neutra.
Os dados revelam um ambiente de percepção majoritariamente positiva em relação ao mercado de trabalho, mas também expõem fragilidades estruturais que persistem. Entre os trabalhadores que manifestaram insatisfação, 60,5% indicaram a remuneração como principal fator de descontentamento. Questões relacionadas à saúde mental aparecem na sequência, com 24,8%, seguidas pela carga horária elevada, mencionada por 21,9%.
Para Izabela Holanda, diretora da IH Consultoria e Desenvolvimento Humano, os resultados devem ser analisados a partir de três eixos estratégicos: cultura organizacional, gestão e desenvolvimento humano. “Satisfação é um indicador importante, mas ela é consequência de um ecossistema organizacional. Cultura clara, liderança preparada e investimento em desenvolvimento humano são determinantes para que essa percepção positiva se sustente ao longo do tempo.”
De acordo com a especialista, o avanço do índice pode estar associado a uma maior estabilidade ocupacional e ao amadurecimento das práticas de gestão de pessoas nas empresas. Ainda assim, o fato de a remuneração liderar os motivos de insatisfação demonstra que o reconhecimento financeiro segue como variável central no engajamento dos profissionais, mesmo não sendo, isoladamente, o principal fator de retenção.
“Não há cultura forte sem coerência entre discurso e prática. Se a organização não estrutura políticas consistentes de valorização, saúde mental e equilíbrio de jornada, a satisfação tende a ser circunstancial.”
A sondagem também identificou um leve crescimento na proporção de trabalhadores que consideram a renda suficiente para cobrir despesas básicas, sinalizando melhora na percepção de segurança financeira. Apesar disso, Izabela Holanda alerta que o desafio das organizações vai além dos índices declarados de contentamento.