
Setembro Amarelo amplia debate sobre bem-estar emocional e reforça a importância de ambientes profissionais que favoreçam informação, diálogo e prevenção
O Setembro Amarelo coloca a saúde mental em evidência e amplia uma discussão que, cada vez mais, ultrapassa os espaços de atendimento especializado e chega também ao ambiente profissional. Afinal, além de ocupar uma parcela significativa do dia, o trabalho envolve relações, cobranças, responsabilidades e situações que podem influenciar diretamente o bem-estar das pessoas.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) ajudam a dimensionar essa discussão. A entidade estima que 15% dos adultos em idade produtiva conviviam com algum transtorno mental em 2019. No Brasil, os números ajudam a dimensionar a importância do tema. Dados preliminares do Ministério da Previdência Social mostram que, em 2025, foram concedidos mais de 546 mil benefícios por incapacidade temporária relacionados a transtornos mentais e comportamentais, crescimento de cerca de 15% em relação ao ano anterior e o maior patamar registrado na última década. Ansiedade e depressão já aparecem como o segundo principal motivo de afastamento do trabalho no país.
Nesse cenário, falar sobre saúde emocional dentro das organizações deixa de ser uma discussão restrita às campanhas de conscientização e passa também pela prevenção, informação e construção de ambientes profissionais mais atentos às pessoas. Condições de trabalho seguras e saudáveis podem contribuir para o bem-estar, para relações positivas e para o senso de propósito.
Em Cuiabá, o tema vem sendo trabalhado entre colaboradores da Plaenge e Vanguard. Antes mesmo do início da campanha Setembro Amarelo, profissionais de diversas áreas participaram de um bate-papo dedicado à saúde mental. A iniciativa foi organizada pelo Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho (SESMT) e conduzida pelas psicólogas Gleiciane Grawe e Neide Ribeiro. Durante os encontros, foram discutidos assuntos como reconhecimento dos próprios limites, identificação de sinais de sofrimento emocional, importância da escuta e procura por auxílio profissional quando necessário.
Para a superintendente regional da Plaenge e Vanguard, Prycilla Esser, trazer o assunto para dentro do ambiente profissional é também uma forma de contribuir para que a saúde mental seja tratada com mais naturalidade. “O trabalho ocupa uma parte importante da vida das pessoas e acreditamos que o ambiente profissional também pode ser um espaço de informação e diálogo. Quando abrimos espaço para conversar sobre saúde mental, ajudamos a diminuir preconceitos e mostramos que procurar apoio quando necessário deve ser encarado com naturalidade”, afirma.
Segundo Gleiciane, antecipar a discussão do tema foi uma forma de reforçar que a atenção à saúde mental precisa acontecer ao longo de todo o ano e não apenas em uma data específica. “Quando criamos espaços para falar sobre saúde emocional de forma aberta e acessível, ajudamos as pessoas a reconhecerem melhor seus próprios limites e a perceberem quando é importante buscar apoio. A saúde mental precisa ser tratada como um cuidado contínuo”, destaca.