Salão Rio de Interiores encerra sua 4ª edição com grandes nomes do setor debatendo como regenerar o planeta

Evento já tem data e tema para o próximo ano: de 17 a 19 de agosto de 2027 – Ecossistemas do Espaço Interior

Com o tema “Interiores Regenerativos: do Habitar ao Pertencer”, a 4ª edição do Salão Rio de Interiores chegou ao fim ampliando um debate que começou no indivíduo, passou pela cidade e chegou na escala do planeta. As grandes transformações ambientais, climáticas e tecnológicas exigem uma nova forma de pensar a arquitetura, mas como os interiores se conectam aos desafios globais do nosso tempo? Inovação, inteligência artificial, diversidade, sustentabilidade e pesquisa convergem para demonstrar que cada decisão projetual – da escolha dos materiais ao desenho dos espaços – pode contribuir para regenerar ecossistemas, fortalecer comunidades e construir futuros mais resilientes. 

Mediada por Marcela Abla Michelle Beatrice (Mika), o primeiro painel do dia, “Tecnologias para Arquitetura”, reuniu 2 grandes especialistas para discutir como a IA e outras tecnologias podem contribuir para uma arquitetura mais eficiente, inovadora e regenerativa, sem perder de vista o papel insubstituível da sensibilidade humana no processo de projeto. Em sua apresentação, a arquiteta e urbanista Mariana Moro, que também é professora, deu literalmente uma aula de como a tecnologia pode potencializar o processo criativo. Chamado por ela de “criatividade híbrida”, Mariana passou por todas as etapas necessárias para implementar e utilizar as ferramentas disponíveis no segmento de interiores, e finaliza reforçando que apesar das possibilidades que a tecnologia oferece “o mais crucial de todo o processo é entender repertório, pois é ele que sairá do perfil genérico da IA para o seu projeto”. De forma bastante complementar, o também arquiteto e urbanista Dudu Ribeiro, ganha o palco para contextualizar como a Inteligência Artificial está impactando o mercado de arquitetura e o perfil do profissional de interiores. Ele pontua a quão democrática é a IA, “que está na palma da nossa mão, e de graça”, e o quanto está crescendo a demanda de mercado para quem sabe utilizá-la. Partindo da teoria para a prática de como utilizá-la, Dudu chega ao final de sua apresentação trazendo um dado muito relevante: 86,7% dos atrasos e sobrecustos vêm de dentro de casa e não da falta de ferramenta. E pontua: “a pergunta certa não é se o arquiteto será substituído pela IA, mas quem vai governar essa transição primeiro”.

O segundo painel, “Eventos Que Transformam”, abordou como feiras, mostras, festivais, semanas criativas e bienais se tornaram plataformas de formação de repertório, valorização da cultura e transformação social. Ao aproximar arquitetura, design, arte e comunidade, esses eventos ampliam o acesso ao conhecimento, fortalecem identidades locais e estimulam novas formas de pensar e habitar o mundo. Com mediação da jornalista Joana Dale, a mesa reuniu três importantes protagonistas dessa transformação para discutir como experiências culturais podem contribuir para uma sociedade mais consciente, criativa e regenerativa. A arquiteta, urbanista e pesquisadora Gabriela de Matos começou contando um pouco de como foi assinar, ao lado de Paulo Tavares, o Pavilhão do Brasil na Bienal de Veneza e como está sendo a vivência de curadoria da próxima Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, dessa vez ao lado de Pedro Rossi. Ela destaca que a arquitetura não pode se dissociar como parte de uma cultura, e reforça que é um “erro de reduzir a produção a uma linguagem única, o mais interessante que nós brasileiros temos é falar da nossa diversidade”. Na sequência, Patrícia Quentel, idealizadora e diretora da CASACOR Rio de Janeiro, resgatou a história da mostra – que completa 40 anos de Brasil e 35 de Rio de Janeiro -, que surgiu para enaltecer a profissão do arquiteto de interiores. Contextualizando com os tempos atuais, ela traz uma provocação no que se refere à contradição que os grandes eventos vivem hoje entre o papel do negócio de gerar consumo e a preocupação com a sustentabilidade, mas explica que é possível encontrar um equilíbrio e que “busca um consumo consciente, por meio de processos sustentáveis na realização do evento e no apoio a ações sociais e entidades beneficentes”. Já Lauro Andrade, jornalista, empreendedor e fundador da DW! Semana de Design de São Paulo, trouxe uma visão voltada para a estratégia de negócios, recordando sua entrada no universo da arquitetura num projeto para posicionar a Expo Revestir entre as feiras do setor. Ele conta que se encantou com o formato festival visto na Semana de Milão e entendeu o potencial do Brasil por ter 3 importantes elementos: a potência criativa, a veia empreendedora e a biodiversidade com recursos naturais. E ressalta que “nenhuma semana de design do mundo tem a quantidade de novos designers como temos aqui no Brasil”. E retornando ao tema do Salão, Lauro reafirma que “falar em regenerar e pertencer está totalmente dentro dos eventos que nós executamos, pois evento bom é aquele que deixa algum aprendizado para quem fez parte dele”.

Encerrando o 4º Salão Rio de Interiores, o arquiteto, engenheiro e professor do Massachusetts Institute of Technology (MIT) Carlo Ratti lotou o auditório para o painel “Como a Arquitetura Pode Regenerar o Planeta”, em uma apresentação que sintetizou e ampliou as discussões que atravessaram os três dias do evento. Depois de partir da escala do indivíduo, refletindo sobre os espaços que habitamos e as novas formas de viver e se relacionar, passando pela cidade, seus fluxos, conexões e transformações, o Salão chegou ao planeta como território maior e urgente de reflexão. Coube a Ratti fazer essa conexão final, mostrando que pensar o futuro da arquitetura significa compreender a relação indissociável entre pessoas, cidades, tecnologia e natureza. Com mediação de Evelise Grunow, Ratti abriu sua apresentação enfatizando que é preciso transformar conhecimento em design. Como ponto de partida, prestou uma homenagem ao urbanista, sociólogo, jornalista e analista de organizações norte-americano William H. Whyte, que, utilizando uma câmera Super 8, filmou diversas praças urbanas de Nova York na década de 1970 e identificou elementos capazes de criar espaços públicos vibrantes e estimular a convivência. Utilizando da tecnologia, Ratti estabeleceu um paralelo daquela época com os dias atuais, revelando mudanças significativas no comportamento humano e na maneira como ocupamos os espaços urbanos. Hoje, por exemplo, andamos 15% mais rápido e olhando para os celulares, enquanto o índice de pessoas que caminham sozinhas chega a 68% e vem caindo a frequência de encontros em espaços públicos. Os dados revelam uma transformação que ultrapassa a arquitetura: falam sobre como estamos vivendo, nos relacionando e construindo nossas cidades.

É justamente nessa passagem do indivíduo para o coletivo que a palestra de Ratti se conecta à narrativa construída pelo Salão Rio de Interiores ao longo de sua programação. Se o ponto de partida é a experiência humana nos espaços, a cidade aparece como extensão dessa experiência – e o planeta, como o sistema maior do qual todos fazemos parte. Ao integrar arquitetura, ciência, tecnologia e inteligência coletiva, Ratti apresentou projetos desenvolvidos ao redor do mundo para mostrar que regenerar o planeta exige uma nova maneira de pensar e projetar as cidades: não como estruturas isoladas, mas como sistemas vivos, conectados entre si e ao meio ambiente. A reflexão reforçou ainda o papel do arquiteto diante dos desafios contemporâneos. Mais do que criar espaços, projetar passa a significar compreender comportamentos, estimular conexões e estabelecer novas relações entre tecnologia, sociedade e ecossitema. “O que nós podemos fazer como arquitetos é facilitar essas conexões. A tecnologia está afastando as pessoas, mas a arquitetura é capaz de voltar a fazer as pessoas a se reunirem. Lembrando ainda que, para isso, é fundamental a arquitetura trabalhar junto com a natureza”, finaliza Ratti.

Fotos do terceiro dia no link para download: https://photos.app.goo.gl/1L1Ee8ZWtThd81pw7

(crédito: Miguel de Sá)

4ª edição do Salão Rio de Interiores

O evento de 2026, que aconteceu de 25 a 27 de agosto, reuniu marcas parceiras, instituições setoriais e profissionais do segmento de arquitetura e design de interiores para troca de experiências e debates. Com curadoria de Gisele Taranto e Marcela Abla, o público no auditório e área de exposição foi superior a 2 mil pessoas nos 3 dias de programação, mostrando a força do Salão, que se consolida no calendário anual do setor.

“Só temos a agradecer a todos que acreditaram e construíram este projeto conosco. Mais do que movimentar o mercado, o Salão quer ampliar o olhar sobre a arquitetura de interiores e seu papel na sociedade, na cultura, na tecnologia, na cidade e no planeta. Essa construção só é possível graças à união entre as entidades IAB-RJ e AsBEA/RJ, com apoio do CAU/RJ”, comemora Gisele Taranto.

A organização aproveitou a presença dos participantes para anunciar a data do 5º Salão Rio de Interiores, de 17 a 19 de agosto de 2027, e o tema, Ecossistemas do Espaço Interior.

“Acreditamos que a concentração de profissionais de alto nível em um ambiente provocador, característico desse formato pocket, potencializa as possibilidades de conexões qualificadas e favorece uma troca de experiências práticas, ricas em reflexões e criatividade”, comemora Marcela Abla.

O Salão Rio de Interiores é realizado pela Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura do Rio de Janeiro (AsBEA/RJ) e pelo Departamento do Rio de Janeiro do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ), com patrocínio do CAU/RJ e CasaShoppingJunta Arquitetura é a responsável pelo layout e conceito sustentável dos stands, e Lider assina como Mobiliário Oficial.