
O ator, produtor, diretor, roteirista e comunicador André D’Lucca vive um dos momentos mais emblemáticos de sua trajetória artística: conquistou 1 milhão de seguidores. No mês em que Cuiabá celebra 307 anos, a conquista do artista conhecido na cidade pela irreverente e inesquecível Almerinda George Lowsbi, ganha mais relevância ao levar sua raiz de cuiabano estampada em sua rede social. Com 36 anos de carreira, se consolida como destaque nacional, sendo mais um motivo de orgulho e comemoração para a cidade.
Conhecido pela personagem “Almê”, figura que se tornou símbolo do humor regional e da identidade cuiabana, o artista amplia sua atuação para além dos palcos e do riso, consolidando-se também como uma voz ativa no debate sobre letramento racial no Brasil.
Já no Estado de Mato Grosso, André D’Lucca vem trabalhando o projeto Sankofa em escolas públicas: um espetáculo que convida a uma profunda jornada de reconexão com a história e a identidade afro-brasileira. Aquela que, muitas vezes, os livros ignoram, mas que o teatro resgata com potência e sensibilidade.
A mudança de foco não representa um rompimento com sua história, mas um aprofundamento de seu papel como comunicador. Ao longo de mais de três décadas, André construiu uma conexão direta com o público ao retratar costumes e expressões típicas regionais, além do humor ácido à política mato-grossense, agora, menos, sendo elas também nacional.
Essa mesma habilidade narrativa é direcionada para um processo educativo contínuo, que busca informar, conscientizar e provocar reflexões sobre o racismo estrutural e suas manifestações no cotidiano, a partir do letramento racial no Instagram com o perfil @atorandredlucca.
MOVIMENTO EXPRESSIVO
O resultado, em um curto período, foi de 53 mil para 1 milhão de seguidores nas redes sociais. Um crescimento que evidencia o interesse do público por conteúdos que vão além do entretenimento e dialogam com questões sociais urgentes.
Por meio de vídeos, esquetes e falas diretas, ele aborda temas com relações raciais, preconceitos enraizados na linguagem e nas instituições, além de incentivar práticas antirracistas no dia a dia.
O letramento racial, eixo central dessa nova fase, é apresentado de forma acessível e didática. Trata-se de um processo que capacita indivíduos a reconhecer, interpretar e combater o racismo, desconstruindo ideias naturalizadas e promovendo uma compreensão mais crítica da sociedade. Ao trazer esse debate para uma linguagem popular, André contribui para ampliar o alcance da pauta e estimular mudanças de comportamento.
O reconhecimento desse trabalho ultrapassa as fronteiras de Mato Grosso e projeta o nome do artista nacionalmente.
NO AUDIOVISUAL
Sua atuação também está voltada ao audiovisual. Recentemente participou do documentário “Flor Ribeirinha: Do Início ao Patrimônio Imaterial de Cuiabá”, conduzido pelo artista multifacetado André D’Lucca, sobre a vida, a força e o legado de dona Domingas Eleonor da Silva, matriarca e fundadora do Flor Ribeirinha.
Além do documentário “Pedra Prima: Paulo Pires”, produção gravada entre 27 de fevereiro a 1º de março deste ano, que propõe um olhar sobre a arte em meio ao desenvolvimento impulsionado pelo agronegócio, pela indústria e pela logística: de um artista que leva o nome da cidade para diferentes regiões do Brasil.
Ambos os projetos são de realização da Associação de Desenvolvimento da Educação, Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (ADECELMT), via Secretaria de Estado, Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), previstos para serem exibidos em 2026.
CUIABANO DE TCHAPA E CRUZ
No mês em que Cuiabá celebra mais um ano de história, a conquista ganha um significado ainda mais especial. André D’Lucca se firma como um dos nomes que representam a força criativa da cidade, mostrando que é possível evoluir artisticamente sem perder as raízes. Entre o humor que o consagrou e o compromisso com a educação antirracista, ele constrói um legado que dialoga com o presente e aponta para um futuro mais consciente e igualitário.

