A revolução Green & Tech: Como a inovação e a sustentabilidade redefinem a indústria da beleza no Brasil

O Brasil, quarto maior mercado consumidor de beleza e cuidados pessoais do mundo, não apenas acompanha, mas impulsiona uma profunda mudança de paradigma no setor. O que antes era um nicho de mercado, hoje é uma exigência: a sustentabilidade. Pesquisa da Union + Webster é categórica: 87% dos brasileiros priorizam empresas com práticas sustentáveis. Essa pressão do consumidor não é apenas um fator de risco para modelos antigos, mas o combustível para uma onda de inovação que está redesenhando toda a cadeia de valor.

De acordo com Leliano Correa, fundador da Maitá Cosméticos, o consumidor contemporâneo busca pertencimento, não apenas produtos. “Hoje o consumidor não quer só um produto, ele quer fazer parte de um movimento. Essa busca por escolhas conscientes mostra que cuidar de si e do planeta deixou de ser exceção para se tornar prioridade”, afirma.

Essa transformação cultural está diretamente ligada à forma como a inovação é percebida dentro do setor. Em uma área que movimenta cifras astronômicas, a inovação, celebrada no dia 19 de outubro, deixou de ser sinônimo apenas de performance e passou a ocupar o espaço de interseção entre ciência, tecnologia de ponta e o resgate da biodiversidade. Essa nova abordagem, que se materializa na ascensão dos biocosméticos e do conceito de beleza limpa, propõe não apenas eficácia, mas responsabilidade: equilibrar competitividade de mercado com a urgência ambiental global.

Segundo o fundador, a tecnologia só tem sentido quando está a serviço do planeta. “Inovar, para nós, é unir ciência e natureza de forma responsável, criando soluções que entregam resultado sem abrir mão da ética ambiental”, diz.

Beleza limpa e a força da biodiversidade nacional

Para as empresas brasileiras, a vantagem competitiva reside em seu vasto patrimônio natural. É aqui que o elemento ganha força, com um movimento que vai além da Amazônia, voltando os olhares para outros biomas de riqueza inexplorada. Leliano observa que esse olhar é essencial para preservar a identidade do país. “O Brasil é muito mais do que a Amazônia. Cada bioma carrega histórias, aromas e saberes únicos. Quando a indústria valoriza essa diversidade, ela fortalece comunidades e preserva culturas que também são parte da nossa identidade”, explica.

Um dos exemplos dessa nova lógica de mercado é a Maitá Cosméticos, que inverte o fluxo tradicional da inovação. Em vez de importar insumos, ela os extrai de seu entorno. A proposta de valor da marca reside em transformar ingredientes do bioma da Serra Catarinense em ativos de alto valor agregado e performance. “Optar por insumos locais é escolher um caminho mais justo e sustentável. É procurar perto o que muitos procuram longe, transformando ingredientes do nosso próprio território em ativos de alta performance, gerando impacto positivo dentro da nossa comunidade”, afirma o fundador.

Essa filosofia se materializa em produtos desenvolvidos com ingredientes como a erva-mate, a maçã, o butiá, a goiaba serrana e o mel negro são a prova de que no mundo da beleza pode vir de frutas e extratos regionais, quando fundidos com processos de biotecnologia avançada. O resultado são produtos que atendem às mais altas exigências do consumidor moderno, apresentando certificações veganas, cruelty free e selos de compensação ambiental.

Futuro da beleza e inovação

Essa transformação no setor não é apenas conceitual, mas prática. Empresas que antes buscavam apenas desempenho de mercado agora precisam repensar cada etapa de sua cadeia de produção, desde a origem dos insumos até o descarte responsável. O desafio é equilibrar inovação, rentabilidade e impacto ambiental, garantindo que cada decisão contribua para um ciclo de beleza consciente.

Para Leliano, reduzir desperdícios é um exercício diário de respeito. “Significa pensar em embalagens, processos e fórmulas que aproveitam ao máximo os recursos, sem perder performance e entregando beleza com responsabilidade”, explica.

O fundador da Maitá destaca ainda a mudança de mentalidade que vem moldando o setor. “A inovação hoje é indissociável do propósito. Não basta ter a fórmula mais eficaz para a pele. É fundamental pensar em toda a cadeia de impacto, desde o desenvolvimento sustentável dos insumos com comunidades locais até a logística reversa do produto.” Essa visão reflete a nova métrica de sucesso: o lucro com impacto positivo.

No campo da beleza e bem-estar, o futuro do mercado será ditado pela capacidade das empresas de casar ciência com biodiversidade. A verdadeira inovação da próxima década será aquela que conseguir conciliar alta performance econômica, excelência em cuidados e regeneração ambiental. “O futuro da beleza está em um novo equilíbrio: onde performance anda junto com regeneração ambiental. O verdadeiro sucesso será das marcas que conseguirem prosperar economicamente enquanto cuidam das pessoas e do planeta, como estamos fazendo na Maitá”, conclui Leliano.