Gestação segura, parto saudável, bem-estar da mãe e do bebê dependem de cuidados que começam até antes da gravidez

Exames e acompanhamento pré-natais são fundamentais para gestação segura, parto saudável e bem-estar da mãe e do bebê, diz Dra Letícia Corrêa, pediatra e neonatologista

Os cuidados começam quando a mulher se prepara para a gravidez

A mulher que decide engravidar deve saber que há cuidados importantes com a própria saúde antes, durante e depois da gravidez. Segundo Dra. Letícia Corrêa, pediatra e neonatologista, mesmo antes da gravidez, medidas simples poderão fazer a diferença no desenvolvimento fetal: “A ingestão de ácido fólico antes de engravidar, por exemplo, reduz significativamente o risco de malformações da coluna vertebral do feto, presentes em 2 de cada 10 mil nascimentos.”

Já no início da gestação, é essencial avaliar a condição de saúde da gestante, verificando níveis de ferro, vitamina D e outras, para identificar a necessidade de suplementação e garantir o desenvolvimento adequado do bebê. Também é fundamental conhecer a existência de doenças prévias da gestante e assegurar que estejam sob controle durante a gravidez. “Alimentação equilibrada e prática regular de exercícios físicos contribuem para que a mulher tenha condições ideais para gestar e dar à luz com segurança”, diz a médica.

Nos primeiros meses, os exames de sangue permitem avaliar a situação sorológica da gestante, ou seja, identificar se houve infecções anteriores como toxoplasmose, citomegalovírus ou outras doenças que, se contraídas durante a gestação, podem atingir o feto. “Há tratamentos disponíveis para a gestante e até para o bebê ainda intraútero, reduzindo de forma significativa a chance de haver danos. Além disso, a checagem do estado vacinal e da imunização materna, antes de engravidar, é uma forma direta de proteção ao feto.”

A partir da segunda metade da gestação, a rotina de exames e ultrassonografias torna-se ainda mais importante. “Os exames avaliam a formação, localização e funcionamento da placenta, o crescimento fetal e a presença de possíveis malformações, permitindo um planejamento adequado para a chegada do bebê e a adoção de cuidados médicos adicionais, quando necessário.”

No final da gestação, a repetição dos exames de sangue é essencial para descartar anemia, alterações de pressão arterial ou diabetes gestacional — condições que impactam diretamente a saúde do bebê. A avaliação da quantidade de líquido amniótico também é indispensável para identificar se há algum sinal de sofrimento fetal.

Em algumas situações, alterações maternas ou fetais podem ocorrer e levar à necessidade de antecipar o parto. “A maternidade, quando possível, deve ser um projeto estruturado, preparado para emergências. O acompanhamento minucioso de cada etapa, com exames em dia, é o que garante que mãe e bebê terão todas as condições para um parto seguro e boa saúde nas demais etapas do desenvolvimento do nascido”, conclui Dra. Letícia Corrêa.

Dra. Letícia Correa, 44 anos, formada em Medicina pela Universidade Federal do Paraná, fez residência médica no Hospital das Clínicas, em São Paulo, e especialização em Neonatologia na USP, onde foi professora assistente. Há 20 anos em São Paulo, trabalhou em quase todas as maternidades da capital paulista. Na última década, passou a atuar em ambulatórios, onde se aprofundou em cuidados com recém-nascidos em sala de parto, berçário e UTI neonatal. É especialista em prematuros e nascidos de alto risco, com experiência em aleitamento materno e banco de leite. Atende Neonatologia (acompanha a gestação, o parto, o nascido, UTI, berçário), Pediatria (até 18 anos) e puericultura (acolhimento de mães e famílias). Tem como objetivo ser porta-voz do parto seguro, difundindo critérios que são garantias cientificamente comprovadas de saúde física e mental para mães e bebês.