
No vídeo, médico pede ao jovem de 24 anos, que ficou tetraplégico após acidente numa cachoeira no ES, para mexer os braços e ele consegue, após tratamento com a polilaminina. – Fotos: reprodução/Instagram
Esse tratamento experimental brasileiro é realmente revolucionário. Um jovem, que ficou tetraplégico após um acidente numa cachoeira, é o quinto a se mexer novamente após tratamento com a polilaminina.
O vídeo, postado neste fim de semana, mostra a evolução do paciente. O médico pede para o brasileiro de 24 anos subir e voltar o braço direito e ele consegue. Depois, o braço esquerdo e ele consegue, também. Em seguida, o médico põe a mão em um dos braços do jovem e pede “agora força a minha mão” e ele consegue de novo. É impressionante.
O médico Mitter Mayer, coordenador do Grupo de Trabalho Intersetorial da Polilaminina no Espírito Santo, contou na legenda d vídeo que o rapaz “sofreu uma fratura na vértebra C7, teve lesão medular completa na altura da C4 e ficou tetraplégico depois que mergulhou em uma cachoeira” de Santa Leopoldina.
O médico informou que a injeção única do tratamento, desenvolvido pela UFRJ, no último dia 7 de janeiro: “ocorreu dentro da janela terapêutica de 72 horas, aquele intervalo silencioso em que o tempo ainda pode ser aliado da ciência”, o que aumenta a expectativa de um efeito terapêutico mais eficaz.
E os movimentos dos braços dele voltaram 10 dias depois: “a força [foi] reaparecendo onde antes havia apenas ausência”, informou o médico na legenda do vídeo.
Ele recuperou ainda a sensibilidade até a altura do umbigo. O rapaz do capixaba, que não teve o nome divulgado, é o quinto paciente “de uso compassivo da polilaminina”, disse o médico Mitter Mayer.
Como é o composto
O tratamento revolucionário, que já teve testes aprovados pela Anvisa, foi desenvolvido pela equipe científica da bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, que lidera a pesquisa na UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro, em parceria com o laboratório brasileiro Cristália.
O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem.
A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O medicamento pode ser capaz de regenerar lesões na medula espinhal.
Outros pacientes que se mexeram
Durante a pesquisa científica, pré-clínica, com autorização da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa), a polilaminina foi injetada em animais e em seis voluntários.
O 1º paciente a receber a aplicação, Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, sofreu lesão medular em um acidente durante uma apresentação de motocross, no Espírito Santo. Menos de 48h após a aplicação, ele passou a relatar sensibilidade nos membros inferiores e conseguiu contrair músculos da coxa e da região anal.
O 2º paciente, de 35 anos, tratado em um hospital do Rio após uma queda de moto, apresentou leve movimento do pé e sensibilidade em partes das pernas. Ambos os procedimentos foram realizados pelo neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar.
O 3º foi Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, que voltou a andar.
O 4º foi Diogo Barros Brollo, de 35, que ficou paraplégico no Rio de Janeiro, mexeu o pé depois de usar a polilaminina,
E o 5º é esse jovem de 24 anos que sofreu acidente na cachoeira, mostrado nesta reportagem.
Não é milagre, é medicina
Pelo menos 10 paciente
“Às vezes, o primeiro sinal não é um grande gesto. É um braço que se move. E isso muda tudo”, continuou.
E ele ressalta que não é milagre: é medicina: “Não como promessa, nem como milagre isolado, mas como resultado de ciência, método e coragem de tentar”, concluiu.
Segundo a Cristália Indústria Farmacêutica, até o último dia 8 de janeiro, 10 pacientes já tinham entrado na justiça pedindo para ter direito de fazer o tratamento experimental brasileiro.
Assista ao vídeo do jovem tetraplégico que voltou a se mexer após tratamento com a polilaminina:
Rinaldo de Oliveira